De chocolates, paixões e domingos...
Uma empreitada deste tipo só poderia mesmo começar em um domingo. Quero dizer: o indivíduo está lá, sabe que não aproveitou o fim-de-semana como deveria, mas não tem ânimo nem para se mover. Todo o peso na consciência e sentimento de culpa que sucedem a compulsão videomaníaca - que se manifesta geralmente aos sábados, nas locadoras - se abate sobre este indivíduo quando ele descobre, resignado, cinco filmes para assistir, dois para devolver e percebe, enfim, que estará aprisionado ao sofá pelo resto das suas horas dominicais. A saída para o estado de catatonia que tende a se agravar lá pelas duas, três da tarde, então, acaba sendo mesmo uma pequena brincadeira entre amigos.
Daí, em um dos intervalos entre um filme, um pacote de biscoito, uns três ou quatro chocolates e mais meia dúzia de guloseimas que precariamente substituem o café da manhã e o almoço, descobre-se que nem todo o domingo é feito de fatos não-acontecidos. Agora é tarde: não consegue nem pensar, mas vai escrever, indivíduo!
Daí é um tal de se revirar na cadeira, planejar anedotas, fantasiar histórias mirabolantes e romantizar a morte da bezerra, tudo isso sem nenhum sucesso, até que no final se perceba: não tem jeito, domingo é mesmo dia do que não há - paixões suspensas, preocupações veladas, complexos reavivados. Sem esquecer, claro: maus hábitos alimentares, tendinite, olho inchado, cara amassada, tentativas frustradas de diversão e minutos de terapia ocupacional online.
No domingo cada um reconhece o gosto amargo do seu vício: chocolates, paixões ou escritos.
Daí, em um dos intervalos entre um filme, um pacote de biscoito, uns três ou quatro chocolates e mais meia dúzia de guloseimas que precariamente substituem o café da manhã e o almoço, descobre-se que nem todo o domingo é feito de fatos não-acontecidos. Agora é tarde: não consegue nem pensar, mas vai escrever, indivíduo!
Daí é um tal de se revirar na cadeira, planejar anedotas, fantasiar histórias mirabolantes e romantizar a morte da bezerra, tudo isso sem nenhum sucesso, até que no final se perceba: não tem jeito, domingo é mesmo dia do que não há - paixões suspensas, preocupações veladas, complexos reavivados. Sem esquecer, claro: maus hábitos alimentares, tendinite, olho inchado, cara amassada, tentativas frustradas de diversão e minutos de terapia ocupacional online.
No domingo cada um reconhece o gosto amargo do seu vício: chocolates, paixões ou escritos.

